A dor lombar é uma das queixas médicas mais frequentes no mundo e afeta pessoas de todas as idades. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em 2023, cerca de 80% da população mundial já sofre ou sofrerá algum episódio de dor na coluna ao longo da vida. O número expressivo ajuda a explicar por que o problema é considerado um dos principais motivos de afastamento do trabalho e de queda na qualidade de vida.
Para entender por que a dor lombar é tão comum e quando ela merece atenção especializada, o Dr. Mateus Tomaz, neurocirurgião, explica que a própria evolução do corpo humano está relacionada a esse cenário.
Por que a dor lombar é tão frequente?
De acordo com o especialista, desde que o ser humano passou a adotar a postura ereta, a coluna vertebral passou a sofrer de forma constante os efeitos da gravidade. Com o passar dos anos, esse esforço contínuo pode levar ao desgaste dos discos, das articulações e das estruturas de sustentação da coluna.
“O envelhecimento natural, o excesso de peso e o sedentarismo contribuem diretamente para o aparecimento da dor lombar. Por isso, essa estatística elevada não surpreende”, explica o neurocirurgião.
É possível prevenir ou retardar a dor na coluna?
Embora a dor lombar seja comum, ela não deve ser encarada como algo inevitável. Segundo o Dr. Mateus Tomaz, existem cuidados essenciais que reduzem significativamente o risco de desenvolver dores crônicas na coluna.
Os principais pilares da prevenção são:
- Atividade física regular
- Controle do peso corporal
- Cuidados com a postura no dia a dia
A combinação desses fatores ajuda a preservar a saúde da coluna e a retardar processos degenerativos que levam à dor.
Quando a dor lombar deixa de ser “normal”?
Nem toda dor lombar indica um problema grave. As dores musculares, por exemplo, são as mais comuns e costumam surgir após esforços, má postura ou tensão, desaparecendo em pouco tempo.
No entanto, o alerta surge quando a dor persiste por mais de três semanas, passando a ser considerada crônica. Nesses casos, é fundamental buscar avaliação médica para investigação adequada.
“As dores de origem nos discos ou nas articulações da coluna tendem a se tornar persistentes e precisam ser investigadas com exame clínico e exames de imagem, como a ressonância magnética”, destaca o especialista.
Dor lombar também envolve fatores emocionais
Outro ponto importante ressaltado pelo neurocirurgião é que a dor lombar nem sempre está ligada apenas à estrutura da coluna. Ansiedade, depressão, estresse e problemas emocionais podem intensificar ou perpetuar o quadro doloroso.
Por isso, o tratamento deve ser visto de forma multidisciplinar, considerando não apenas a parte física, mas também aspectos emocionais, hábitos de vida e rotina do paciente.
Quando a dor lombar se torna um caso de urgência?
Alguns sinais indicam que a dor lombar pode estar associada a um comprometimento neurológico e exigem atendimento médico imediato. Entre eles estão:
- Perda de força nas pernas
- Dificuldade para caminhar ou quedas frequentes
- Perda de sensibilidade ou formigamentos persistentes
- Alterações urinárias ou intestinais
“Esses sintomas podem surgir de forma súbita e indicam compressão de nervos. Em situações mais graves, a cirurgia precisa ser realizada o quanto antes para evitar sequelas permanentes”, alerta o médico.
Automedicação pode agravar o problema
Um erro comum entre pacientes com dor lombar é o uso contínuo de medicamentos sem orientação médica. Segundo o Dr. Mateus Tomaz, a automedicação pode mascarar os sintomas e atrasar o diagnóstico correto, permitindo que o problema evolua silenciosamente.
“Quanto mais tempo o nervo permanece comprimido, maior o risco de lesão permanente. O tratamento precoce aumenta muito as chances de recuperação completa”, explica.
Informação e cuidado fazem a diferença
A dor lombar é comum, mas não deve ser negligenciada. Identificar os sinais de alerta, evitar a automedicação e buscar avaliação especializada são atitudes fundamentais para preservar a saúde da coluna e evitar complicações.
Com acompanhamento adequado, mudanças no estilo de vida e tratamento individualizado, a grande maioria dos casos pode ser controlada sem a necessidade de cirurgia, garantindo mais qualidade de vida e bem-estar ao paciente.

Dr. Mateus Tomaz é médico com ampla experiência em cirurgia minimamente invasiva da coluna, com destaque para a Cirurgia Endoscópica, que oferece recuperação rápida e menor impacto ao paciente. Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e mestre em Ciências da Saúde, dedica-se à pesquisa em escalas funcionais aplicadas à neurocirurgia. Une ciência, técnica e cuidado humanizado para restaurar qualidade de vida
Fonte: Dr. Mateus Tomaz | @dr.mateustomazneuro