Pati Vieira sobreviveu a um coma, redescobriu a vida na maternidade, superou uma enchente e hoje ensina mulheres a conquistarem independência com papelaria personalizada.
Poucas histórias de empreendedorismo têm tantas reviravoltas quanto a de Patrícia Vieira Augusto, ou carinhosamente Pati Vieira, como é conhecida nas redes sociais. Empresária, mentora e especialista em papelaria personalizada, ela nasceu em Canoas, no Rio Grande do Sul, e carrega consigo uma trajetória marcada por superações e escolhas corajosas.
A primeira grande virada aconteceu em 2010, quando sofreu um acidente gravíssimo e passou cinco dias em coma. “Fiquei entre a vida e a morte. Os médicos não acreditavam que eu voltaria… mas eu voltei. E voltei com ainda mais vontade de viver”, conta. A segunda mudança veio com o nascimento do filho, anos depois. Mãe em tempo integral, Patrícia deixou a carreira como técnica de enfermagem, após nove anos de atuação em UTI Neonatal, para se dedicar à maternidade. Mas, com o tempo, sentiu que faltava algo.
“Eu queria poder trabalhar de novo, mas não mais na minha área. Queria algo que me permitisse estar com meu filho e, ao mesmo tempo, me sentir realizada. Foi aí que nasceu o ateliê.”
Foi em junho de 2019 que Pati deu o primeiro passo rumo ao empreendedorismo criativo. Sem experiência prévia em gestão, mas com muito amor e dedicação, ela fundou o Pati Vieira Personalizados, voltado à criação de topos de bolo, camisetas e canecas sublimadas. Seu trabalho rapidamente ganhou espaço no mercado por unir emoção, delicadeza e propósito.
“Cada topo de bolo tem uma história por trás. São detalhes que fazem parte de momentos únicos. É uma forma de eternizar sentimentos com arte”, explica.
Hoje, o ateliê está presente nas redes sociais com o mesmo nome @pativieirapersonalizados no Instagram, Facebook e YouTube, e se tornou referência no setor. Mas o reconhecimento não veio sem desafios.
Em 2024, a cidade de Canoas enfrentou uma das maiores enchentes da sua história. Como tantos moradores, Patrícia foi profundamente impactada. “Foi um período devastador. A dor, o medo, a perda… mas no meio disso tudo, entendi que precisava fazer algo maior.”
Nasceu ali o projeto que daria novo sentido à sua carreira: o curso Empreendendo e Lucrando com Topos de Bolo.
“Queria mostrar para outras mulheres que é possível transformar dor em oportunidade. Que dá para começar do zero, com criatividade e carinho, e fazer disso uma fonte de renda, autonomia e realização profissional”, revela.
O curso, que já ajudou diversas mulheres a encontrarem sua própria independência financeira, vai muito além das técnicas: é um convite à reinvenção, à descoberta de talentos esquecidos e à liberdade de empreender com o que se ama.
Pati não esconde que, em momentos de crise econômica, já pensou em desistir. “Às vezes bate a vontade de voltar pra CLT. Mas aí eu lembro: na CLT, quem mais cresce é a empresa. Aqui, quem cresce sou eu.”
Ela se define como uma mulher criativa, determinada e apaixonada por transformar sonhos em realidade. E essa paixão tem contagiado outras mulheres.
“Acho que minha maior influência está em ajudar outras mulheres a enxergarem que sim, é possível mudar de vida com algo simples como papel. Com dedicação, cada sonho vira realidade.”
Entre suas grandes inspirações estão Carla Eschberger, de quem aprendeu os primeiros passos na arte dos personalizados, e Andressa Mallinski, sua mentora no empreendedorismo que, inclusive, foi quem lhe entregou o primeiro troféu de faturamento após atingir R$ 50 mil em um único mês.
O sucesso do ateliê e do curso não a fez parar. Muito pelo contrário: Patrícia quer mais. Seus planos envolvem expandir a produção, ampliar o alcance do curso e investir em brindes corporativos personalizados, conectando empresas e pessoas com produtos afetivos, feitos à mão.
“Estou começando a entrar no mundo dos brindes corporativos. É um novo caminho que quero explorar, mantendo o carinho e a personalização que sempre foram meu diferencial.”
A experiência fez dela também uma conselheira. E o recado para quem deseja empreender na papelaria personalizada é direto:
“Tenha muita paixão pelo que faz. É ela que te sustenta nos dias difíceis. Aprenda sempre, seja organizada, acredite no seu talento. Comece pequeno, um passo de cada vez, e celebre cada conquista. Dá trabalho? Dá. Mas quando é feito com amor, tudo vale a pena.”
Patrícia não apenas sobreviveu. Ela reinventou sua história com tesoura, papel e propósito e hoje se dedica a ajudar outras mulheres a fazerem o mesmo.

Sua trajetória mostra que mesmo em meio à enchente, à dor ou à dúvida, existe sempre um novo começo possível às vezes feito à mão, aos poucos, mas cheio de significado.
“Transformar papel em renda é só o começo. O que eu quero mesmo é transformar vidas.”
Pati VieiraPati Vieira: A mulher que transforma papel em liberdade