A inovação que promete reduzir tempo, custos e desperdícios, e que já projeta um futuro mais sustentável e acessível para o setor imobiliário
A construção civil, um dos setores mais tradicionais da economia, sempre foi marcada por processos manuais, prazos longos e altos custos, mas esse cenário começa a mudar com a chegada da impressão 3D, também chamada de manufatura aditiva, que transforma o canteiro de obras em um espaço automatizado e industrializado, reduzindo tempo, desperdício e custos de maneira significativa.
Para o gerente financeiro Guilherme Esteves, que desde 2023 se dedica a estudar a aplicação dessa inovação no mercado imobiliário, trata-se de uma oportunidade concreta de alinhar finanças, tecnologia e impacto social. “Acredito que esse é o momento em que o setor precisa olhar além do modelo tradicional, porque a impressão 3D não é apenas uma inovação técnica, ela tem o poder de transformar a forma como pensamos investimento, sustentabilidade e acesso à moradia”, afirma.
Um dos pontos mais comentados sobre a construção 3D é a velocidade, estudos da McKinsey & Company indicam que a tecnologia pode reduzir em até 50% o tempo necessário para erguer um imóvel sem comprometer a qualidade, o que na prática significa economia de recursos e um retorno mais rápido para investidores e incorporadoras, essa projeção já tem exemplos concretos, como em Dubai, onde o projeto conhecido como “Escritório do Futuro” se tornou o primeiro edifício totalmente funcional impresso em 3D do mundo, erguido em apenas 17 dias e finalizado em três meses com interiores e paisagismo, prazos muito inferiores aos da construção tradicional e com custos de mão de obra significativamente menores.

Para Guilherme, esse ganho de tempo não é apenas um avanço técnico, mas também um fator decisivo para o setor financeiro. “Cada dia economizado em uma obra é também uma redução de risco e uma aceleração do impacto que o empreendimento gera, porque quanto mais rápido o projeto é entregue, mais cedo ele começa a transformar vidas e a gerar retorno para os investidores”, analisa.
A eficiência da tecnologia não se resume ao tempo, pois ela também diminui de forma expressiva a perda de materiais em obra, já que a impressora utiliza exatamente a quantidade necessária de insumo, sem sobras, além de permitir o uso de resíduos reciclados e materiais de baixo teor de carbono, e nesse ponto Guilherme ressalta que “quando a inovação reduz custos e, ao mesmo tempo, melhora a pegada ambiental, todos ganham: investidores, empresas e a sociedade”.
Outro fator transformador está na liberdade de design, pois ao operar com base em modelos digitais, a impressão 3D permite criar formas e geometrias complexas que seriam inviáveis com técnicas tradicionais, abrindo espaço para moradias acessíveis que também sejam esteticamente diferenciadas, e como observa Guilherme, “acredito que democratizar a moradia também significa oferecer qualidade de vida e arquitetura digna para todos”.
O panorama internacional mostra como essa tecnologia já saiu do campo experimental para se tornar solução de mercado, nos Estados Unidos o projeto “The Genesis Collection at Wolf Ranch”, no Texas, é considerado a primeira e maior comunidade residencial do mundo construída em 3D, com 100 casas erguidas por uma frota de robôs em tempo recorde, uma iniciativa que busca combater a crise imobiliária local, oferecendo moradias sustentáveis e acessíveis, e Guilherme analisa que “esses exemplos internacionais apontam caminhos concretos que o Brasil pode seguir, adaptando a tecnologia às nossas necessidades sociais e econômicas”. Outro caso vem do Japão, onde impressoras 3D reconstruíram uma estação de trem em apenas seis horas, tempo que, pelos métodos convencionais, teria se estendido por meses, evidenciando o potencial da tecnologia para projetos de infraestrutura urbana em grande escala.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios, como o alto custo inicial das máquinas e a necessidade de normatização, mas nesse sentido a publicação da norma ISO/ASTM 52939:2023 foi um marco global, pois estabelece critérios de qualidade e segurança para a manufatura aditiva na construção civil, aumentando a confiança de investidores e acelerando a adoção, e como destaca Guilherme, “toda inovação enfrenta barreiras de entrada, mas a regulamentação funciona como uma ponte entre a tecnologia e o mercado, permitindo que soluções saiam do protótipo e cheguem à vida real”.
Outro impacto importante da impressão 3D é na força de trabalho, já que a automação reduz a dependência de mão de obra braçal e cria novas funções técnicas, exigindo engenheiros, programadores e operadores de robôs, segundo Guilherme, “a tecnologia não substitui o ser humano, ela muda o tipo de contribuição que cada pessoa traz, e o desafio é preparar profissionais para esse novo perfil de canteiro de obras”.
Ao analisar a tecnologia e seu potencial, Guilherme reforça que sua missão vai além de números e planilhas, porque “o mercado imobiliário é mais do que construir casas, é criar propósito e alegria na vida das pessoas”, e olhando para o futuro, ele enxerga na impressão 3D uma ferramenta capaz de unir eficiência financeira, inovação e impacto social, abrindo caminho para um setor mais moderno, sustentável e humano.
Referências:
https://builtworlds.com/news/3d-printings-impact-construction-overview/
https://www.architectmagazine.com/project-gallery/office-of-the-future_o?utm_source=chatgpt.com
Texto criado por Nathalia Pimenta
Supervisão jornalística aprovada por Radija Matos