Artista carioca apresenta as obras “Engolindo Sapo” e “Drag King” no Vogue Gallery BR, explorando a força da cor e a clareza da emoção como linguagem artística
O artista carioca André Pivetti integra a exposição Cromatismo: Alegoria das Cores, que abre no dia 5 de fevereiro no Vogue Gallery BR, localizado no Vogue Square, no Rio de Janeiro. Com curadoria de Fátima Simões, a mostra reúne trabalhos que investigam a cor como elemento narrativo e sensorial. Pivetti participa com as obras Engolindo Sapo e Drag King, nas quais aposta na intensidade cromática e na emoção direta como formas de comunicação com o público.
A trajetória de André Pivetti é marcada pela mistura de linguagens e pela recusa a definições rígidas. Seu trabalho transita entre a street art, o expressionismo, a abstração e o cubismo, construindo uma estética própria que nasce da vivência urbana e das experiências pessoais. O Rio de Janeiro ocupa papel central nesse processo, não como paisagem literal, mas como território emocional que influencia gestos, personagens e atmosferas presentes em suas telas.

A relação do artista com a arte começou cedo e teve, desde o início, um caráter íntimo. Pintar surgiu como uma válvula de escape emocional e um espaço de elaboração de conflitos internos. Com o tempo, essa necessidade pessoal se transformou em pesquisa e linguagem artística. Para Pivetti, a arte não é ornamento, mas comunicação. “Meu trabalho é o reflexo do que eu vejo, consumo e vivo”, resume, ao reforçar a conexão entre experiência cotidiana e criação.
Esse olhar atento à cidade se traduz em obras que falam menos sobre o que se vê e mais sobre o que se sente ao habitar o espaço urbano. As tensões do cotidiano, as máscaras sociais e o emocional exposto nas ruas cariocas aparecem de forma simbólica, dando origem a narrativas visuais que dialogam diretamente com o observador.
Atualmente, Pivetti vive um momento de consolidação de sua produção. Se antes o amor era um tema recorrente, hoje o tempo ocupa o centro de suas reflexões. O tempo vivido, o tempo que passa e a maneira como escolhemos estar presentes nele surgem representados por símbolos como caveiras e figuras em transformação. Longe de uma leitura negativa, esses elementos funcionam como metáforas de ciclos, mudança e continuidade.
A construção narrativa se tornou um eixo fundamental de sua pesquisa recente. O artista busca clareza na mensagem e acredita que a obra precisa comunicar. Para ele, quando isso não acontece, o problema está na forma como a linguagem foi construída, e não na capacidade de leitura do público. Sofisticação, em sua visão, não precisa afastar, mas convidar.
Sua estética dialoga de maneira consciente e intuitiva com diferentes movimentos artísticos. O impulso visceral do neoexpressionismo e do abstrato convive com o uso do cubismo como ferramenta formal para abordar dualidades e conflitos internos. O resultado são obras de forte impacto visual, sustentadas por conceitos claros e acessíveis.
Um dos compromissos centrais de André Pivetti é aproximar a arte de pessoas que historicamente se sentem distantes do circuito artístico. Ele defende uma produção que gere identificação e reconhecimento, apostando na comunicação direta como valor estético.
Em constante expansão, o artista também demonstra interesse em explorar novos suportes, como esculturas, mini toys, peças de streetwear e a incorporação de elementos externos às obras, ampliando a experiência sensorial e o diálogo com o público.
Com uma produção que busca atravessar o tempo sem perder força e sentido, André Pivetti se firma como um artista que transforma emoção em narrativa visual e a vivência urbana em linguagem plástica, construindo uma obra que fala diretamente à experiência humana.