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Saúde

Dor sem imagem: quando os exames não mostram, mas a dor existe

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Muitos pacientes convivem com dor persistente, mesmo quando os exames apontam que “não há nada de errado”. A ciência já explica: a dor nem sempre está ligada a uma lesão, mas à forma como o cérebro e o corpo processam os sinais sensoriais — mesmo quando o tecido já cicatrizou. Segundo a IASP (International Association for the Study of Pain), a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada (ou semelhante à associada) a dano tecidual real ou potencial, o que ajuda a compreender por que sentir dor nem sempre significa que há algo fisicamente errado.

“Mas o exame deu normal… por que continuo sentindo dor?”
Essa é uma das perguntas mais comuns nos consultórios de fisioterapia. O resultado “sem alterações” costuma trazer alívio, mas também frustração: se nada apareceu, o que está acontecendo?

A verdade é que a dor não é apenas um reflexo de lesão ou desgaste físico. Hoje a ciência entende a dor como uma experiência complexa, produzida pelo sistema nervoso — e não apenas um sinal de dano no corpo. Isso significa que uma pessoa pode sentir dor mesmo sem uma causa visível em exames de imagem, e que o tratamento precisa ir muito além do músculo, osso ou articulação.

Quando a dor não aparece no exame

Estudos mostram que até 40% das pessoas que convivem com dor crônica têm exames de imagem sem alterações relevantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor musculoesquelética é uma das principais causas de incapacidade no mundo, afetando cerca de 20% da população adulta.

Muitos pacientes chegam dizendo que ‘não tem nada’, porque o exame deu normal. Mas sentir dor não significa estar imaginando ou exagerando — significa que há algo no sistema nervoso pedindo atenção”, explica a fisioterapeuta Luciana Geraissate, especialista em reabilitação e Pilates terapêutico.

Ela reforça que o corpo pode se manter em alerta mesmo depois que um tecido cicatrizou ou mesmo sem lesão evidente. “O cérebro aprende padrões. Se por um tempo ele associou movimento à dor, pode continuar reagindo com dor mesmo quando não há mais perigo.

O papel da sensibilização da dor

A fisioterapia moderna entende que, em muitos casos, o que acontece é um fenômeno chamado sensibilização central — quando o sistema nervoso se torna mais sensível aos estímulos, amplificando sinais que antes seriam neutros.

Isso explica por que algumas pessoas sentem dor intensa em atividades simples, como caminhar, dirigir ou se sentar, mesmo sem lesão. “A dor deixa de ser apenas um sintoma físico e passa a envolver também fatores emocionais, comportamentais e até sociais”, explica Luciana.

Por isso, o tratamento não deve se limitar à tentativa de “corrigir” uma estrutura, mas considerar o paciente de forma integral — com movimento, percepção corporal, descanso e manejo do estresse. O tratamento é multiprofissional e coordenado: médicos, fisioterapeutas e psicólogos — entre outros profissionais, quando indicado — atuam em conjunto para reduzir os fatores que amplificam a dor e favorecer a retomada da função.

Reabilitação que reeduca o corpo e acalma o sistema nervoso

O Pilates terapêutico tem um papel importante na recuperação desses pacientes. Por meio de exercícios graduais, seguros e personalizados, o método ajuda a reorganizar o controle motor e ensinar o corpo que o movimento é seguro.

O objetivo não é apenas fortalecer, mas permitir que o paciente volte a se mover com confiança. Quando o corpo percebe que pode se mexer sem dor, o sistema nervoso começa a diminuir o nível de alerta”, destaca Luciana.

A prática também estimula a autopercepção corporal — o paciente aprende a reconhecer tensões, padrões de movimento e limites, sem medo ou rigidez. Esse processo ajuda a reduzir a ansiedade em torno da dor e a restabelecer uma relação mais positiva com o próprio corpo.

Quando a imagem engana

Outro ponto importante é que os exames, embora essenciais, nem sempre contam toda a história. Alterações como hérnias, protusões e degenerações podem aparecer em pessoas sem dor alguma. Um estudo publicado no American Journal of Neuroradiology mostrou que mais de 50% dos adultos sem sintomas têm alterações lombares em ressonância magnética.

Exame é ferramenta, não diagnóstico. Ele mostra estruturas, mas não mostra percepção, comportamento e contexto emocional. Por isso, precisamos tratar pessoas, não imagens”, reforça Luciana.

O que fazer se você sente dor, mas o exame deu normal

  • Não minimize o que sente. A dor é real, mesmo quando não aparece na imagem.

  • Procure um fisioterapeuta especializado. Ele pode avaliar o movimento, padrões corporais e fatores emocionais que mantêm a dor.

  • Mova-se de forma gradual. A inatividade pode aumentar a sensibilidade do corpo.

  • Aprenda a observar seus sinais. Entender como e quando a dor aparece ajuda na reabilitação.

  • Evite buscar culpados. Em muitos casos, não há uma causa única, e sim múltiplos fatores interligados.

Dor não é castigo — é comunicação

A dor não deve ser vista como inimiga, mas como um sinal de atenção do corpo e do sistema nervoso.
A dor é um convite para olhar para dentro, rever hábitos e entender o que o corpo está tentando comunicar. Nem sempre significa dano, mas sempre significa que algo precisa de cuidado”, conclui Luciana.

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Saúde

Aplicativo propõe reeducação sexual consciente com foco em autoconhecimento e saúde íntima

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Plataforma digital utiliza conteúdos educativos e práticas inspiradas no tantra para estimular consciência corporal e desempenho saudável

O debate sobre saúde sexual masculina tem ganhado espaço nos últimos anos, impulsionado pelo acesso à informação e pelo crescimento de plataformas digitais voltadas ao bem-estar. Nesse cenário, o aplicativo Equilíbrio Íntimo apresenta uma proposta de reeducação sexual consciente, com foco no autoconhecimento e no desenvolvimento de um desempenho considerado mais saudável.
De acordo com as informações institucionais da plataforma, o método combina fundamentos de neurociência e psicologia sexual com práticas inspiradas no tantra. A proposta central é estimular uma relação mais consciente com o próprio corpo, reduzindo a dependência de estímulos artificiais e promovendo maior controle da resposta sexual.

*Como o aplicativo funciona*

A plataforma é dividida em duas áreas principais. A primeira é a área de Sessões Guiadas, disponibilizada gratuitamente. Nela, o usuário encontra exercícios de percepção corporal, técnicas de ritmo e pausa, controle progressivo da excitação, respiração consciente, cronômetros personalizados e registro de evolução individual.
Segundo a descrição do método, essas sessões auxiliam na redução da ansiedade e no fortalecimento do autocontrole. A respiração é apontada como um dos pilares da proposta, por contribuir para a regulação do sistema nervoso e para diminuir respostas aceleradas associadas à ejaculação precoce.
A segunda área é a Biblioteca Educativa. O espaço reúne vídeos explicativos que abordam técnicas de automasturbação consciente, variações de pressão e ritmo, uso estratégico da pausa como ferramenta de controle, regulação da excitação e reconhecimento dos sinais corporais antes do chamado ponto de inevitabilidade ejaculatória.
A proposta apresentada não é incentivar abstinência, mas promover educação e inteligência sexual por meio de informação estruturada e prática orientada.

*Disponibilidade e acesso*

O aplicativo ainda não está disponível nas lojas oficiais de iOS e Android. O download é feito diretamente pelo site oficial da plataforma. Após a instalação, o usuário cria um perfil utilizando e-mail ou conta vinculada ao Gmail.
No site também é possível encontrar uma descrição detalhada sobre o funcionamento da metodologia e o link direto para instalação.

*Saúde sexual e orientação especializada*

Especialistas em saúde sexual apontam que o autoconhecimento corporal pode contribuir para redução da ansiedade de desempenho e melhora da autoestima. Técnicas de respiração, foco atencional e controle muscular, frequentemente associadas a abordagens terapêuticas, também são utilizadas em tratamentos voltados à saúde íntima.
No entanto, profissionais reforçam que casos de disfunção erétil, ejaculação precoce persistente ou outras dificuldades devem ser avaliados por médicos urologistas ou psicólogos especializados em sexualidade. Aplicativos e métodos digitais podem funcionar como ferramentas complementares, mas não substituem acompanhamento clínico quando necessário.

Desenvolvimento

O aplicativo foi desenvolvido por Igor Gomes dos Santos, que se apresenta como criador de ferramentas baseadas em ciência para apoiar jornadas de reeducação sexual consciente.
A ampliação de iniciativas digitais voltadas à sexualidade reflete uma mudança cultural na forma como o tema é tratado, cada vez mais associado a saúde integral, qualidade de vida e equilíbrio emocional.

Para baixar o aplicativo acesse o site https://equilibriointimo.com.br/

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Saúde

Quando formar médicos vira risco

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A expansão desordenada dos cursos de medicina expõe falhas graves no ensino e acende um alerta sobre a segurança dos pacientes

Autor: Carol Braga
Professora e diretora do FOCO MEDICINA

O Brasil vive um momento delicado na formação médica. A divulgação recente dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Medicina trouxe à tona um problema que há anos preocupa professores, conselhos profissionais e gestores da saúde: a qualidade do ensino oferecido por parte das faculdades de medicina não acompanha o ritmo acelerado de abertura de cursos no país.

Os dados mostram que uma parcela relevante das instituições avaliadas não atingiu desempenho satisfatório. Isso não é um detalhe técnico nem um debate restrito ao meio acadêmico. Trata-se de um alerta direto à sociedade. Médicos mal preparados tendem a chegar ao mercado sem domínio pleno de competências básicas, o que impacta diagnósticos, condutas clínicas e, principalmente, a segurança do paciente.

A formação médica exige muito mais do que carga horária cumprida ou diplomas emitidos. Pressupõe infraestrutura adequada, acesso a hospitais-escola, supervisão qualificada e vivência prática consistente. Em muitos cursos, no entanto, esses pilares são frágeis ou inexistentes. Há faculdades funcionando sem campos de estágio suficientes, com escassez de professores experientes e pouca integração entre teoria e prática.

O resultado é uma geração de recém-formados que enfrenta dificuldades para lidar com situações reais de atendimento. Em vez de consolidar habilidades ao longo da graduação, muitos acabam buscando esse aprendizado de forma improvisada após a formatura, o que transfere para o sistema de saúde e para os pacientes o custo dessa formação incompleta.

Outro ponto que merece atenção é a lógica de mercado que passou a orientar parte da abertura de cursos. O aumento no número de vagas não veio acompanhado de mecanismos rigorosos de controle de qualidade. Ter mais escolas médicas não significa, automaticamente, ter mais médicos bem preparados. Quando a expansão ocorre sem critérios sólidos, o efeito pode ser o oposto do desejado.

Essa precarização atinge de forma ainda mais sensível regiões afastadas dos grandes centros, onde a população depende quase exclusivamente do sistema público de saúde. Nessas áreas, a combinação entre falta de especialistas e formação deficiente amplia desigualdades e fragiliza o cuidado.

Discutir a formação médica é discutir saúde pública. Avaliações nacionais mais rigorosas, critérios claros para abertura e manutenção de cursos e fiscalização efetiva não são medidas punitivas, mas instrumentos de proteção à sociedade. Formar médicos é assumir um compromisso com vidas, e esse compromisso não pode ser flexibilizado.

Sobre: O Foco Medicina surgiu em 2014, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, reunindo a experiência e a expertise de seus fundadores para criar o melhor cursinho pré-vestibular focado em Medicina do Brasil, se destacando, desde o início, por um número extraordinário de aprovações nas universidades de Medicina mais prestigiadas do país.

Site: Foco Medicina Vestibular – Cursinho pré-vestibular para Medicina Presencial e on-line ENEM

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Saúde

Diástase: o que ninguém te conta sobre recuperar sua barriga e sua autoestima-Por Carine Trindade

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Há 16 anos, quando comecei a tratar diástase abdominal, percebi algo que mudaria completamente a forma como eu enxergava minha profissão. As mulheres não me procuravam apenas por causa de um afastamento dos músculos abdominais. Elas vinham porque queriam voltar a se reconhecer no espelho. Queriam recuperar força, postura, confiança e aquela sensação de “eu voltei a ser eu”.

Eu trabalho exclusivamente com o tratamento não cirúrgico da diástase há mais de uma décadas e, nesse tempo, acompanhei milhares de histórias que começam de maneira parecida: uma gestação que transforma o corpo, uma barriga que não volta sozinha, uma frustração que cresce.

A diástase é um afastamento dos músculos retos abdominais ao longo da linha média (linha alba) que acontece, sobretudo, durante e após a gravidez. Estudos científicos mostram que a prevalência da diástase pode chegar até 100% das mulheres durante a gestação, com mais de 60% das mulheres apresentando algum grau de afastamento logo após o parto. Esses números tendem a diminuir ao longo do primeiro ano pós-parto, mas ainda assim uma parcela importante das mulheres continua com diástase meses depois do nascimento do bebê.

 

Pesquisas com imagens de tomografia computadorizada em outras populações adultas também mostram que aproximadamente 28% das mulheres adultas podem apresentar diástase fora do contexto imediato do puerpério, associada a fatores como idade, índice de massa corporal e histórico de gravidez.

Essa condição não é apenas um “defeito estético” temporário. Ela está diretamente ligada à funcionalidade do core, à estabilidade lombar e pélvica, e pode contribuir para desconfortos como dor nas costas e até alterações na dinâmica do assoalho pélvico.

Muitas mulheres acreditam que diástase é apenas um problema estético, mas a verdade vai muito além disso. A diástase envolve funcionalidade, movimentação, força do core e, principalmente, qualidade de vida. E a falta de informação faz com que muitas acreditem que só a cirurgia pode resolver. Mas não é assim.

Tratar diástase sem cirurgia é possível, seguro e eficaz quando existe avaliação correta, uma metodologia baseada em biomecânica e acompanhamento adequado. Foi exatamente por isso que desenvolvi o Diástase Reset. Eu queria que as mulheres entendessem que a recuperação da barriga pós-gestação não é sobre “consertar um defeito”, mas sobre reconstruir uma relação saudável com o próprio corpo.

Ao longo desses anos, percebi padrões que se repetem: mulheres que acreditam que falharam porque o corpo não voltou naturalmente.Mas o corpo não volta sozinho. Ele precisa de estímulo certo. Mulheres que escondem a barriga com roupas largas, na verdade, o desconforto é menor na roupa do que na própria autoestima.

Mulheres que acham que estão com “barriga mole” quando, na verdade, têm diástase.

E viver anos sem diagnóstico correto é mais comum do que deveria.
A diástase não é uma sentença. Ela é uma condição que pode e deve ser tratada com conhecimento, técnica, acompanhamento e paciência. Não existe milagre, mas existe método. Não existe urgência, mas existe processo. E o processo é transformador.

Ao ver minhas pacientes recuperarem não apenas a barriga, mas a postura, a segurança e o brilho no olhar, percebo que meu trabalho vai além da fisioterapia. É sobre devolver às mulheres o direito de se sentirem bem. É sobre libertar da culpa, eliminar mitos e mostrar que o corpo pós-gestação pode ser forte novamente.

Meu compromisso é com a verdade, com a ciência e com a autoestima feminina. Continuo, dia após dia, ajudando mulheres a reconstruírem o centro do corpo e o centro da própria história. Porque quando uma mulher se reconecta com o espelho, ela se reconecta com o mundo.

E isso é exatamente o que a diástase me ensinou: não tratamos apenas músculos. Tratamos mulheres inteiras.

Sobre a autora

Especializada em diástase sem cirurgia, há 17 anos ajuda mães a se tornarem mulheres felizes com o espelho. Criadora do método Diástase Reset. Fisioterapeuta, pós-graduada em fisioterapia dermatofuncional.

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