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Endemia da violência no Brasil – por que a virada começa na gestão prisional

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Quando falamos em violência no Brasil, quase sempre o foco está nas ruas: assaltos, guerras entre facções e operações policiais. Mas uma parte importante dessa história acontece atrás dos muros das prisões e é comumente ignorada. Para o policial penal e especialista em gestão prisional Jair Rodrigues de Paula, é justamente aí que está uma das chaves para mudar o rumo da segurança pública no país.

Jair conhece esse universo por dentro. Atuando no sistema prisional e investindo em formação contínua, ele reuniu um conjunto específico de competências, diretamente relacionadas ao maior desafio do sistema hoje: controlar a violência sem produzir mais violência.

Na visão de Jair, a prisão pode funcionar de duas maneiras. Na pior versão, ela vira um espaço caótico, sem protocolos claros, dominado por facções e marcado pelo improviso. Nesse cenário, o que sai dos muros é previsível: mais violência, mais rancor e mais reincidência. Na melhor versão, a unidade é tratada como instituição séria, com procedimentos operacionais padronizados, registros confiáveis e equipes treinadas. O resultado, também nesse caso, transborda para fora: menos crises, menos motins e mais controle do Estado.

A formação em Segurança e Custódia abrange rotinas de vigilância, revista, movimentação de internos e a cadeia de custódia de informações. A experiência na área demonstra que a atenção a detalhes operacionais, como o preenchimento correto de fichas, a execução rigorosa de procedimentos de escolta e a clareza na comunicação entre plantões, é fundamental. Tais práticas visam reduzir vulnerabilidades que poderiam levar a fugas, à entrada de materiais ilícitos e à escalada de conflitos.

Paralelamente, a atuação em segurança prisional exige a observância dos direitos humanos e da legalidade. Profissionais da área defendem que o respeito à legislação fortalece a atividade policial, enquanto a normalização de práticas como humilhação ou castigos ilegais tende a gerar um ciclo de retaliação e violência. A disciplina deve ser imposta dentro dos limites legais, baseada em critérios de proporcionalidade, necessidade e registro, garantindo que as equipes possam responder a incidentes críticos mantendo o controle jurídico e ético da intervenção.

De acordo com Jair, a prisão deve ser vista não como um fim isolado, mas como um componente estratégico na cadeia de segurança pública, que se estende desde o pré-crime até o pós-pena. Ele argumenta que a ausência de uma gestão prisional profissional por parte do Estado cria um vácuo que é preenchido por facções criminosas. Nessa dinâmica, o sistema prisional deixa de cumprir sua função de política pública e se torna um vetor para o fortalecimento do crime organizado.

Além de sua atuação operacional, desenvolve um trabalho de produção de conhecimento, elaborando textos, propostas de boas práticas em segurança e custódia, modelos de procedimentos e reflexões sobre temas como uso da força, vigilância, escolta e prevenção da tortura. O objetivo é sistematizar a experiência adquirida em campo e na formação acadêmica para criar materiais que possam servir de orientação a gestores, treinamento de equipes e subsídio para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Segundo o policial penal, a discussão sobre a “endemia da violência” no Brasil é incompleta sem uma análise aprofundada do sistema prisional. Ele ressalta que a situação interna das unidades reflete na sociedade, seja por meio de motins mal administrados ou pela saída de indivíduos com laços criminosos fortalecidos. Por outro lado, um ambiente prisional organizado e previsível pode contribuir para a redução da reincidência.

A tese central de Jair é que uma mudança consistente na segurança pública depende de uma transformação na gestão prisional. Isso envolve o investimento em servidores mais bem treinados, o respeito irrestrito à lei, a adoção de protocolos claros e a intolerância a abusos. O policial penal, nesse contexto, deve ser reconhecido como um profissional de segurança pública de alta complexidade, atuando em um ponto nevrálgico do combate à violência no país.

A gestão prisional profissional, com foco na preparação de seus quadros, é apresentada como um passo fundamental para que o Brasil comece a tratar o sistema carcerário não como um problema insolúvel, mas como parte essencial da solução para a violência.


(*) Jair Rodrigues de Paula é policial penal, licenciado em História, pós-graduado em Segurança Pública e Direito Penitenciário, Criminologia, Gestão do Sistema Prisional e Gerenciamento de Crises, com ênfase na proteção a Direitos Humanos.

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Diagnóstico precoce do câncer infantil: por que o check-up faz a diferença

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O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura do câncer infantil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores pediátricos representam cerca de 1% a 3% de todos os cânceres no Brasil, e quando identificados nas fases iniciais, as taxas de cura podem ultrapassar 80%.

Apesar de ser considerado raro, o câncer infantil ainda é uma das principais causas de morte por doença na infância, o que reforça a importância da atenção aos sinais clínicos e do acompanhamento médico regular desde os primeiros anos de vida.

A importância de identificar cedo

De acordo com o oncologista pediátrico Dr. Afonso Pereira, identificar a doença precocemente faz toda a diferença no sucesso do tratamento. “No câncer, o diagnóstico precoce é essencial. Quanto antes conseguimos identificar a doença, maiores são as chances de iniciar o tratamento no tempo certo e alcançar a cura”, explica.

Diferente do câncer em adultos, que muitas vezes evolui de forma lenta, os tumores em crianças e adolescentes costumam ter progressão mais rápida e agressiva, exigindo atenção imediata a qualquer sinal fora do padrão.

Check-up infantil: um aliado silencioso

Embora não existam exames de rastreamento específicos para câncer infantil, como ocorre em alguns tipos de câncer em adultos, o acompanhamento clínico regular é considerado o principal aliado para o diagnóstico precoce.

“O diferencial da criança é que ela costuma ir ao médico com mais frequência, especialmente nos primeiros anos de vida. Isso facilita a observação de sinais clínicos, alterações em exames e mudanças no comportamento”, destaca o especialista.

Sintomas persistentes, como palidez, cansaço excessivo, febre prolongada, dores ósseas, aumento de gânglios, alterações neurológicas ou manchas incomuns nos olhos e na pele devem ser investigados com atenção.

Campanhas de conscientização salvam vidas

Nos últimos anos, campanhas educativas têm ganhado espaço no Brasil para alertar pais, cuidadores e profissionais de saúde sobre os sinais do câncer infantil. Iniciativas como o Setembro Dourado, voltado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil, e campanhas específicas para leucemias, tumores do sistema nervoso central e retinoblastoma têm contribuído para diagnósticos mais precoces.

“O tempo, na oncologia pediátrica, é determinante. Diagnosticar cedo pode significar a diferença entre sucesso e insucesso no tratamento”, reforça o médico.

Avanços no tratamento e maior acesso no Brasil

O tratamento do câncer infantil evoluiu significativamente nas últimas décadas. Atualmente, ele se baseia em três pilares principais: quimioterapia, cirurgia e radioterapia, com abordagens cada vez mais precisas e menos agressivas.

Além disso, novas terapias, como imunoterapia e medicamentos alvo, vêm ampliando as possibilidades de tratamento, inclusive para crianças. Técnicas cirúrgicas mais modernas e radioterapias mais focadas também contribuem para melhores resultados e menos efeitos colaterais.

Outro avanço importante é a ampliação do acesso aos centros de oncologia pediátrica em diversas regiões do país. Hoje, o Brasil conta com unidades especializadas em todas as regiões, o que reduz o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.

Informação e vigilância são fundamentais

Para o Dr. Afonso Pereira, o caminho para reduzir a mortalidade do câncer infantil passa, sobretudo, pela informação. “É fundamental que pais, profissionais de saúde e a sociedade estejam atentos. Pensar no diagnóstico, investigar e descartar é sempre melhor do que não considerar a possibilidade”, afirma.

O diagnóstico precoce salva vidas. E, no caso do câncer infantil, ele começa com atenção, acompanhamento médico regular e acesso à informação de qualidade.

Dr. Afonso Pereira é médico oncologista pediátrico, formado pelo Hospital da Baleia (BH) e atuante no Mato Grosso. Integra as redes ONCOLOG Cuiabá, ONCOPLUS e ONCOPRIME, levando atendimento especializado a crianças e adolescentes. É diretor do Hospital das Clínicas Primavera (MT) e referência no cuidado humanizado e integral aos pacientes oncológicos.

Fonte: Dr. Afonso Pereira | @drafonso.oncoped

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Mentalidade empresarial ainda é principal barreira para crescimento no mercado de limpeza nos Estados Unidos, avalia CEO brasileira

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O mercado de serviços de limpeza nos Estados Unidos segue em expansão, impulsionado pela alta demanda por terceirização, pela profissionalização do setor e pelo crescimento de pequenos e médios negócios liderados por imigrantes. Ainda assim, um fator segue limitando o avanço de muitas empresas: a mentalidade de quem empreende. A avaliação é de Núbia Gonçalves, CEO da Pink Cleaning, empresa de limpeza profissional com atuação nos Estados Unidos.

Segundo a executiva, um dos principais erros cometidos por empreendedores do segmento especialmente estrangeiros é não se reconhecerem como empresários, tratando o negócio apenas como uma atividade operacional.

“Enquanto a pessoa não se enxerga como empresária, não existe mudança real. O trabalho continua sendo visto como algo temporário ou secundário. Sem essa virada de identidade, não há expansão, porque o próprio dono centraliza tudo e não ocupa a cadeira da gestão”, afirma.

Núbia explica que o crescimento sustentável começa antes dos resultados financeiros, a partir de uma mudança interna de postura e visão estratégica. Para ela, a dificuldade de escalar o negócio está diretamente ligada à tentativa de fazer tudo sozinho, sem separar operação e administração.

“Quando percebi que não conseguia mais operar e administrar ao mesmo tempo, entendi que precisava estudar e transformar minha mentalidade. A partir dessa mudança interna, tudo começou a se reorganizar externamente. A forma como eu me via mudou, e o crescimento veio como consequência”, destaca.

A CEO também chama atenção para a falta de profissionalização que ainda marca parte do setor. De acordo com ela, muitos empreendedores acabam limitados por crenças antigas sobre a indústria de limpeza, o que dificulta enxergar o potencial real do mercado americano.

“Muitas pessoas ainda tratam a indústria da limpeza como um ‘sub-work’. Essa crença impede o crescimento e faz com que deixem de perceber que se trata de um mercado altamente lucrativo, escalável e com enorme espaço para prosperar nos Estados Unidos”, avalia.

Para Núbia Gonçalves, o avanço das empresas de limpeza no mercado americano passa, necessariamente, por educação empresarial, mudança de mentalidade e posicionamento estratégico. “Quando o empreendedor entende que está à frente de uma empresa e não apenas prestando um serviço as oportunidades se ampliam de forma muito mais consistente”, conclui.

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Bispo Bruno Leonardo se comove com história de criança com doença rara e doa R$ 150 mil à família

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A história de uma criança diagnosticada com leucodistrofia hipomielinizante, uma doença rara, genética e progressiva, tem mobilizado solidariedade e chamado a atenção para a importância do apoio às famílias que convivem com enfermidades pouco conhecidas. A condição provoca a perda gradual das funções motoras e neurológicas, afetando diretamente o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança ao longo do tempo.

A mãe do menino, dona Adriana, dedica sua vida integralmente aos cuidados do filho, enfrentando uma rotina marcada por desafios médicos, emocionais e financeiros. O tratamento exige acompanhamento constante, terapias especializadas e custos elevados, realidade comum para famílias que lidam com doenças raras no Brasil.

A situação da família chegou ao conhecimento do Bispo Bruno Leonardo após ele receber um vídeo relatando a história da criança e as dificuldades enfrentadas por dona Adriana. Comovido com o relato, ele se deslocou pessoalmente até a residência da família para prestar solidariedade, realizar uma oração e oferecer ajuda concreta.

Durante a visita, o bispo anunciou a doação de R$ 150 mil, valor destinado a auxiliar nos cuidados médicos, tratamentos e necessidades básicas da criança. A atitude foi recebida com emoção pela família, que viu no gesto um alívio diante de uma jornada marcada por incertezas.

Além da contribuição inicial, o bispo assumiu o compromisso de prestar apoio financeiro contínuo, garantindo à família uma ajuda mensal equivalente a um salário mínimo. Segundo ele, a iniciativa busca oferecer não apenas um auxílio pontual, mas um suporte que permita maior estabilidade à dona Adriana, que dedica seu tempo integralmente aos cuidados do filho.

A iniciativa do bispo reacende o debate sobre responsabilidade social, empatia e o papel de lideranças religiosas e comunitárias no apoio a causas humanitárias. Para dona Adriana, mais do que o auxílio financeiro, o gesto representa esperança, acolhimento e a certeza de que sua luta não está sendo enfrentada sozinha.

Acompanhe o Bispo Bruno Leonardo nas redes sociais: @bispobrunoleonardo 

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