Depois de transitar entre recursos humanos, esoterismo e produção acadêmica, Atila Gaia construiu uma carreira rara, em que sensibilidade e método deixaram de ser opostos e passaram a se fortalecer mutuamente.
Em um mercado que costuma separar com rigidez o racional do intuitivo, a trajetória de Atila Gaia segue na direção contrária. Sua história cruza áreas que, à primeira vista, parecem inconciliáveis: a assessoria acadêmica, marcada por método, pesquisa e estrutura, e o tarot, frequentemente associado apenas à espiritualidade e à subjetividade. No entanto, foi justamente na interseção entre esses dois universos que ele construiu sua identidade profissional e encontrou um caminho próprio, sólido e original.
Atila começou a atuar com assessoria acadêmica em 2014, ainda no segundo ano da faculdade de Administração. Naquele momento, o trabalho surgia como uma renda extra, enquanto sua atuação principal seguia em paralelo na área de recursos humanos. A base técnica, a disciplina e a familiaridade com processos vieram dessa fase inicial, em que o olhar analítico começou a ser lapidado. O que parecia apenas um trabalho complementar, porém, já revelava uma habilidade que mais tarde se tornaria decisiva: a capacidade de organizar conhecimento, interpretar demandas complexas e transformar conteúdo em resultado.
Foi em 2018 que sua vida profissional tomou um rumo inesperado. Ao conhecer o tarot, Atila encontrou um campo pelo qual se apaixonou profundamente e que, em pouco tempo, se transformou em sua principal fonte de renda. Seu crescimento foi rápido, mas não por acaso. Em vez de sustentar seu trabalho apenas em uma narrativa mística, ele passou a defender com insistência uma visão menos romantizada e mais técnica das cartas, afirmando que o tarot também exige estudo, repertório, método e treino. Essa postura, mais racional do que convencionalmente se espera no esoterismo, tornou-se um diferencial. Suas leituras ganharam destaque pela assertividade, especialmente nas previsões, chegando a desvendar crimes, seus alunos passaram a se destacar da mesma forma, confirmando que resultado, naquele campo, também podia nascer de preparo e consistência.
Mas a trajetória não foi linear. Em maio de 2023, a perda do irmão em um acidente de trânsito marcou uma ruptura profunda em sua vida pessoal e profissional. A partir dali, o trabalho com as cartas começou a se tornar emocionalmente insustentável. Ouvir dores, aconselhar pessoas e lidar diariamente com dramas alheios passou a exigir uma energia que, naquele período, já estava comprometida pelo luto e pela depressão. Aos poucos, Atila foi substituindo os atendimentos com o tarot pelos trabalhos acadêmicos, até que, entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, se afastou completamente de tudo o que envolvia o tarot. Não atendia, não divulgava e não mantinha presença nesse universo. Dedicou-se integralmente às pesquisas e à produção de artigos, retomando com força o lado técnico de sua trajetória.
O que poderia ter sido um encerramento definitivo, porém, acabou se tornando um intervalo de reconstrução. Em dezembro de 2024, um novo movimento alterou o rumo da história: a Globo entrou em contato com Atila para convidá-lo a participar de uma matéria sobre as cores e o Réveillon. O convite teve, para ele, um efeito maior do que a simples exposição na mídia. Funcionou como um reencontro. Mais do que uma participação pontual, aquele momento foi percebido como um chamado para retornar ao tarot, agora de forma mais consciente, organizada e madura. Em fevereiro de 2025, ele decidiu voltar.

O retorno, no entanto, não significou abandonar a assessoria acadêmica. Ao contrário, significou compreender que uma parte da sua força profissional estava justamente na coexistência desses dois mundos. Depois de mergulhar novamente no tarot, Atila percebeu que já não conseguia se desligar dos trabalhos acadêmicos, porque havia desenvolvido um vínculo real com esse campo. Foi dessa conciliação que nasceu sua marca mais singular: de um lado, a criatividade, a escuta e a sensibilidade que o tarot exige; de outro, a técnica, a lógica e a estrutura que a produção acadêmica pede. Em vez de escolher entre um e outro, ele transformou essa dualidade em método de trabalho.
Hoje, essa construção já alcançou novos patamares. Atila Gaia consolidou sua atuação em duas frentes e ampliou sua presença para além do atendimento individual, levando seu conhecimento também para a formação de outras pessoas. Sua carreira inclui palestras realizadas em diferentes estados, em cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, todas voltadas ao tarot. Essa circulação reforça não apenas o alcance do seu nome, mas também a força de uma abordagem que rompe com estereótipos e apresenta o esoterismo com seriedade, estudo e profundidade.
Mais do que uma história de versatilidade profissional, a trajetória de Atila Gaia é um exemplo de reinvenção. Sua experiência mostra que, em alguns casos, razão e sensibilidade não competem entre si, mas se completam. Ao levar mais técnica para o tarot e mais sensibilidade para os trabalhos acadêmicos, ele criou uma síntese rara, construída não apenas por talento, mas por vivência, ruptura, coragem e recomeço. No fim, sua carreira não se define por ter escolhido entre dois caminhos, mas por ter aprendido a sustentar ambos com autenticidade.
Texto criado por Nathalia Pimenta
Supervisão jornalística aprovada por Radija Matos